
Acredito na respiração da imagem.
Quando olho pelo visor da camara tenho dúvidas… mentalmente processam-se muitas coisas… todas ao mesmo tempo. Da delicia à auto-censura. Muitas vezes clico… outras não.
Por isso muitas vezes fotografo sem olhar. Como se no acto pretende-se deixar ficar a inocência de uma primeira vez.
Tenho saudades de não saber o que ficou impresso no filme… da dúvida instalada até ao processo seguinte. Tenho saudades do atrito mecânico da máquina e das lentes, do seu peso, do vidro despolido, do clanque do obturador. Tenho saudades de ficar no escuro a enrolar negativos em bobines para depois as meter num tanque de revelação e passar meia-hora com o coração nas mãos, ao compasso das viragens estipuladas para cada rolo.
Acredito na respiração da imagem.
Acredito que cada fotografia que se tira são muitas. Depende apenas do dia e da hora em que as voltamos a olhar.
Por isso acredito que respiram e vivem em paralelo e que têm muito para dizer… amanhã ou depois.
Adoro negativos e os seus tons de cinza. Porque são imortais, palpáveis, tangíveis. Um pedaço de vida.
Uma vez comprei uns negativos velhos na Feira da Ladra. Quem serão aquelas pessoas? Que vidas se desenrolavam alí? Agora são imortais.
Mas porque na vida nada é perfeito, acabo a fazer digital em oposição a não fazer anda.
Até breve,
Jorge Oliveira
Ficha Técnica
Esta galeria foi criada com WordPress, o tema baseado no Reflection e o processo de gestão no YAPB.